domingo, janeiro 05, 2014

A Esperança


A Esperança não murcha, ela não cansa,

Também como ela não sucumbe a Crença.

Vão-se sonhos nas asas da Descrença,

Voltam sonhos nas asas da Esperança.


Muita gente infeliz assim não pensa;

No entanto o mundo é uma ilusão completa,

E não é a Esperança por sentença

Este laço que ao mundo nos manieta?


Mocidade, portanto, ergue o teu grito,

Sirva-te a Crença de fanal bendito,

Salve-te a glória no futuro - avança!


E eu, que vivo atrelado ao desalento,

Também espero o fim do meu tormento,

Na voz da Morte a me bradar; descansa!



Augusto dos Anjos

 

 

A Prisão do Orgulho


Choro, metido na masmorra

Do meu nome.

Dia após dia, levanto, sem descanso,

Este muro à minha volta;

E à medida que se ergue no céu,

Esconde-se em negra sombra

O meu ser verdadeiro.


Este belo muro

É o meu orgulho,

Que eu retoco com cal e areia

Para evitar a mais leve fenda.


E com este cuidado todo,

Perco de vista

O meu ser verdadeiro.


Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera"

Tradução de Manuel Simões