sábado, outubro 26, 2013

Oração da Meia-Noite


Na escuridão da noite, o vento derrama


Baldes de chuva no rosto da aldeia;


A pobre terra, afundada em lama,


Salpicos e repouso, descansa.


As ruas calaram-se, apenas se ouve


O crepitar do cair da chuva.


Em redor, as casas humildes


Projectam-se, aqui e ali, da escuridão.


 


Como órfãos que boa gente esqueceu


De vestir antes do soprar dos ventos frios,


As barracas de telhados nus


Agacham-se procurando abrigo.


 


Será que sonhos medonhos inquietam o seu descanso?


Será que visões abomináveis se colam em seu redor?


Erguendo os punhos no ar,


Parecem tremer e protestar.


 


Os pingos de chuva escorrem nas paredes


E com o som de choro enchem os ouvidos,


Os telhados encharcados balançam, soltos.


A pequena aldeia cobre-se de lágrimas.


 


Nem uma estrela penetra a escuridão,


Densa, suspensa sobre nós,


Uma janela apenas revela uma centelha:


Um judeu acordou para orar à meia-noite


 


Chaim Nachman Bialik.

A Espera de Um Amigo


Gansos e peixes informaram de


tua ausência


O galo e o milho desperdiçam-se


a este tempo


Tranquei-me a casa, uma gaiola


sob a lua


Caem fios de seda e à cortina


se diluem


Tão perto a fonte, vem das


pedras seu rumor


mas longe o rio, soam às margens


suas ondas


Só em viagem, vem-me o outono,


chega, acerca-se


e este poema é o que me resta,


cada verso.


 

Poema chinês, autor não conhecido, publicado em http://www.unesp.br/aci_ses/jornalunesp/acervo/270/poesia-chinesa-para-o-brasil-ler