sábado, agosto 04, 2012

Soneto

Eu passava na vida errante e vago

Como o nauta perdido em noite escura,

Mas tu te ergueste peregrina e pura

Como o cisne inspirado em manso lago.

Beijava a onda num soluço mago

Das moles plumas a brilhante alvura,

E a voz ungida de eternal doçura

Roçava as nuvens em divino afago.

Vi-te; e nas chamas de fervor profundo

A teus pés afoguei a mocidade

Esquecido de mim, de Deus, do mundo!

Mas ai! cedo fugiste!... da soidade,

Hoje te imploro desse amor tão fundo

Uma idéia, uma queixa, uma saudade!

Fagundes Varella