terça-feira, setembro 13, 2011

Dama de Vermelho


Quando pensaste ter um grande amor

Foi enganado pela paixão e luxúria

No veneno daquela boca um céu em volúpias

Lábios sedutores que causaram tanta dor

As entranhas invadidas pela indecência

Veias dilatadas pela ânsia do prazer

Belo corpo e disseste eis a glória de um viver

A flor do ópio exalou toda a hipocrisia

Dama de vermelho com seus esmeros

Fogos de artifício, tão passageiros..

Razão de teu imenso desespero

Agora achas que o destino é trapaceiro

Do jeito que a queres também quero

Mas ela pertence ao mundo inteiro.


Tania Mara Camargo em Poesias e Afins.
Dessa mulher não me exigas o nome, se não quiseres que turves de lágrimas esssa lembrança" D. Ramóm Angel Jara

segunda-feira, agosto 01, 2011

Bate Pesadão

Sou brigador das ruas, brigador dos ringues

Sou soldado de elite, não me subestime

Brigador do tatame, brigo na faculdade

Quando faço o exame, brigo pra me graduar

Pra me profissionalizar

Brigo com demônios, brigo com o diabo

Brigo comigo mesmo, quando de Deus eu me afasto

Brigo com as lajes que tenho que bater

Brigo pelas barrigas que tenho que encher

Luto por um sonho que não vou deixar morrer

Luto pela paz real que eu quero conhecer

Por isso brigo com o inimigo que tenho que derrotar

A guerra é só uma ponte que me

Atravessa para a margem de lá.

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Bate pesadão, bate pesadão, bate pesadão e faz

Ficar no chão.

Bate pesadão, bate pesadão, bate pesadão manda o

Inimigo para o chão.


Pregador Lou (trecho da Música, Bate Pesadão)


quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Tenho Medo

Quero falar dos tempos de minha infância
Mas tenho medo…
Quero falar de quando meu amigo João ficou mutilado a jogar a bola de saco
Eu tenho medo…
Quero falar da luta contra o colonialismo
Mas eu tenho medo…
Quero falar sobre a guerra civil porque ela faz parte da minha
Mas eu tenho medo…
Tenho medo de falar de meu país
Tenho medo de falar que não sou feliz
Tenho medo porque todos têm medo
Tenho medo porque eles nos metem medo e não nos deixam falar
Não nos deixam falar, e quem falar eles o fazem calar
É neste pais onde nasci e onde cresci
É para este pais que dei a minha juventude e os meus estudos
Mas, não posso falar
Não posso falar nem me queixar porque ninguém vai me ouvir, e os que ouvirem vão fazer de contas que não ouviram
Eh, temos medo…
Temos medo e os nossos rostos mostram isso
O máximo que conseguimos é não chorar para os nossos filhos não notarem que nós temos medo
É este país que tirou a vida aos meus irmãos e que por isso os meus sobrinhos são órfãs
É este pais que me fez exilar-se porque sabia que não podia dizer o disse
Disse o disse e o eu disse está dito
É por este pais que eu vou morrer
Vou morrer porque ninguém fala
Os que falavam também têm medo e se calaram
Vou morrer porque eu amo este país e não tenho medo…


Smiley Tercio, Poema angolano publicado em http://smileytercio.blogs.sapo.ao/

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Soneto de Aniversário

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

Poema de Vinicius de Moraes, Soneto de Aniversário

terça-feira, fevereiro 01, 2011

O Morcego

Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.

Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:

Na bruta ardência orgânica da sede,

Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.

“Vou mandar levantar outra parede...”

-- Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho

E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,

Circularmente sobre a minha rede!

Pego de um pau. Esforços faço. Chego

A tocá-lo. Minh’alma se concentra.

Que ventre produziu tão feio parto?!

A Consciência Humana é este morcego!

Por mais que a gente faça, à noite ele entra

Imperceptivelmente em nosso quarto!

Augusto dos Anjos, Eu e Outras Coisas

Incredible Fantasy Worlds   3D Art

terça-feira, janeiro 25, 2011

Seu Amor Ainda É Tudo

Muito prazer em revê-la
Você está bonita
Muito elegante, mais jovem
Tão cheia de vida...

Eu ainda falo de flores
E declamo seu nome
Mesmo meus dedos me traem
E disco seu telefone...
CG-Women-Portraits-10
É minha cara, eu mudei minha cara
Mas por dentro eu não mudo
O sentimento não pára
A doença não sára
Seu amor ainda é tudo, tudo...

Daquele momento até hoje esperei
Você
Daquele maldito momento até hoje
Só você...

Eu sei que o culpado de não ter você
Sou eu
E esse medo terrível de amar outra vez
É meu...

Sei não devia dizer
Disse: perdoa
Bem que eu queria encontrar
E sorrir numa boa...

Mas convenhamos a vida nos faz
Tão pequenos
Nos preparamos prá muito
E choramos por menos...

É minha cara, eu mudei minha cara
Mas por dentro eu não mudo
O sentimento não pára
A doença não sára
Seu amor ainda é tudo, tudo...

Daquele momento até hoje esperei
Você
Daquele maldito momento até hoje
Só você...

Eu sei que o culpado de não ter você
Sou eu
E esse medo terrível de amar outra vez
É meu...
Moacir Franco, interpretada por João Mineiro e Marciano.