sexta-feira, dezembro 03, 2010

Uma História


A brisa dizia à rosa:

- "Dá, formosa,

Dá-me, linda, o teu amor;

Deixa eu dormir no teu seio

Sem receio,

Sem receio minha flor!

Da tarde virei da selva

Sobre a relva

Os meus suspiros te dar;

E de noite na corrente

Mansamente

Mansamente te embalar!" -

E a rosa dizia à brisa:

- "Não precisa

Meu seio dos beijos teus;

Não te adoro... és inconstante...

Outro amante,

Outro amante aos sonhos meus!

Tu passas de noite e dia

Sem poesia

A repetir-me os teus ais;

Não te adoro... quero o Norte

Que é mais forte

Que é mais forte e eu amo mais!" -

No outro dia a pobre rosa

Tão vaidosa

No hastil se debruçou;

Pobre dela! - Teve a morte

Porque o Norte

Porque o Norte a desfolhou!...


Cassimiro de Abreu, Novembro de 1858