domingo, novembro 14, 2010

Tempos Idos

Visualização

Não enterres, coveiro, o meu Passado,

Tem pena dessas cinzas que ficaram;

Eu vivo dessas crenças que passaram,

e quero sempre tê-las ao meu lado!


Não, não quero o meu sonho sepultado

No cemitério da Desilusão,

Que não se enterra assim sem compaixão

Os escombros benditos de um Passado!


Ai! Não me arranques d'alma este conforto!

- Quero abraçar o meu passado morto,

- Dizer adeus aos sonhos meus perdidos!


Deixa ao menos que eu suba à Eternidade

Velado pelo círio da Saudade,

Ao dobre funeral dos tempos idos!



Augusto dos Anjos