quinta-feira, junho 15, 2017

O Morro dos Ventos Uivantes

"...O que não me faz recordá-la? Não posso olhar para este chão sem que veja as suas feições recortadas nas lajes! Em todas as nuvens, em todas as árvores. . . enchendo o ar, à noite, e refletida em todos os objetos, durante o dia, eu vejo a sua imagem! Os rostos mais comuns de homens e mulheres, os meus próprios traços traem-me com uma semelhança.


O mundo inteiro é um terrível álbum de recordações a provar que ela existiu e que eu a perdi!"


 O Morro dos Ventos Uivantes


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sábado, julho 11, 2015

A Lágima

Meu coração é angústia, e lágrimas caem dos meus olhos;
Há muito tempo, largo tempo que a alegria me é estranha:
Esquecido e sem amigos suporto mil montanhas,
Sem uma voz doce a soar em meus ouvidos.
Amar você é o meu prazer e profundo dói o seu encanto;
Amar você é meu infortúnio, e esta pena tenho sofrido;
Mas o coração ferido agora sangra no peito
Se sente como um incansável fluxo que em breve será desfeito.
Oh, se eu fosse - se eu pudesse acariciar a felicidade
Abaixo no arroio jovem, no cansado castelo verde;
Para lá perambula entre melodias permanentes
Aquela lágrima que secou de seus olhos.
Robert Burns,in The Tear Drop
 
 
 

sexta-feira, junho 05, 2015

Skyline Pigeon

Me deixe livre de suas mãos
Me deixe voar para terras distantes
Sobre campos verdes, árvores e montanhas
Flores fontes e florestas
Longe de casa, muito além das linhas do horizonte

Desta sala escura e solitária
Projeta uma sombra desanimadora melancólica
E meus olhos são espelhos
Do mundo lá fora
Imaginando o caminho
No qual o vento pode mudar de rumo
E estas sombras mudam
De roxo para cinza

Como um pombo correio
Sonhando com o dia
Em que esta porta vai se abrir
E ele poderá abrir suas asas
E voará para longe novamente

Voe pra longe pombo correio, voe
Além dos sonhos
que você deixou há tanto tempo para tras
(repete)

Deixe me acordar de manhã
E sentir o cheiro do feno cortado
Para rir e chorar, viver e morrer
Na luz do meu dia

Eu quero ouvir os sinos repicando
Das igrejas ao longe cantando
Mas mais que tudo... me liberte
Deste doloroso anel de metal
E abra esta gaiola em direção ao sol


Bernie Taupin E Elton John

 

domingo, março 01, 2015

Always On My Mind

Talvez eu não tenha te tratado

Tão bem quanto deveria

Talvez eu não tenha te amado

Com tanta frequência quanto poderia

Pequenas coisas que eu deveria ter dito e feito

Eu simplesmente nunca me dei ao trabalho

Você sempre esteve em meus pensamentos

Você sempre esteve em meus pensamentos

Talvez eu não te abracei

Todos aqueles solitários, solitários momentos

E eu acho que nunca te disse

Que sou muito feliz por você ser minha

Se eu fiz você se sentir triste, eu confesso

Garota, eu sinto muito, eu estava cego

Você sempre esteve em meus pensamentos

Você sempre esteve em meus pensamentos

Diga-me, Diga-me que seu doce amor não morreu

Me dê, Me dê mais uma chance

De te manter satisfeita, satisfeita

Pequenas coisas que eu deveria ter dito e feito

Eu simplesmente nunca me dei o trabalho

Você sempre esteve em meus pensamentos

Você sempre está em meus pensamentos

Você sempre está em meus pensamento

 

Composição de Wayne Carson (1972) e outros (intrepretação de Elvis Presley) 

Fonte imagens: Imagens de http://pixabay.com/pt/


 

Ah, Um Soneto...

Meu coração é um almirante louco

Que abandonou a profissão do mar

E que a vai relembrando pouco a pouco

Em casa a passear, a passear ...


No movimento (eu mesmo me desloco

Nesta cadeira, só de o imaginar)

O mar abandonado fica em foco

Nos músculos cansados de parar.


Há saudades nas pernas e nos braços.

Há saudades no cérebro por fora.

Há grandes raivas feitas de cansaços.


Mas — esta é boa! — era do coração

Que eu falava... e onde diabo estou eu agora

Com almirante em vez de sensação? …


Alvaro de Campos (Fenando Pessoa)

 

quinta-feira, novembro 06, 2014

Vida Invivida...Agenda Perdida

Hoje encontrei minha agenda

A agenda de tempos idos, longos tempos idos!

Tempos idos em que sonhava...

Sonhava ser alguém importante na vida.

Vida que foi passando,

Passando, achava eu, em tempos de quem tem pressa pela vida,

Vida vagarosamente vivida,

Vivida? Hoje, discordo, o tempo voa...

Voa, e estou aqui...a agenda na mão...

E na mão, os sonhos do pretérito, escrito,

Escrito...hoje quimeras, devaneios hoje,

Hoje encontrei na minha agenda,

A agenda duma vida invivida!


Lucio Maciel, em homenagem a minha agenda perdida e achada em 06.11.2014.




sexta-feira, agosto 22, 2014

Retrovisor


Onde a máquina me leva não há nada
Horizontes e fronteiras são iguais
Se agora tudo que eu mais quero
Já ficou pra trás
Qualquer um que leva a vida nessa estrada
Só precisa de uma sombra pra chegar
A saudade vai batendo e o coração dispara
Mas de repente a velocidade chora
Não vejo a hora de voltar pra casa
A luz do teu olhar no fim do túnel
E no espelho, a minha solidão
O céu da ilusão que não se acaba
A música do vento que não para
Será que a luz do meu destino
Vai te encontrar

Vejo a manhã de sol entrando em casa
Iluminando os gritos das crianças
Os momentos mais bonitos na lembrança
Não vão se apagar
Ai quem me dera encontrar contigo agora
E esquecer as curvas dessa estrada
Eu prefiro sonhar com os rios
E lavar minh'alma
Alguém sentando à beira do caminho
Jamais entenderá o que é que eu sinto agora
Sou levado pelo movimento que tua falta faz
Havia tanta paz no teu carinho
Na despedida fez um dia lindo
Quem sabe tudo estará sorrindo
Quando eu voltar!

Raimundo Fagner e Fausto Nilo


terça-feira, agosto 05, 2014

Delectacion Morosa


Habré de levantar la vasta vida 
que aún ahora es tu espejo: 
cada mañana habré de reconstruirla. 
Desde que te alejaste, 
cuántos lugares se han tornado vanos 
y sin sentido, iguales 
a luces en el día. 
Tardes que fueron nicho de tu imagen, 
músicas en que siempre me aguardabas, 
palabras de aquel tiempo, 
yo tendré que quebrarlas con mis manos. 
¿En qué hondonada esconderé mi alma 
para que no vea tu ausencia 
que como un sol terrible, sin ocaso, 
brilla definitiva y despiadada? 
Tu ausencia me rodea 
como la cuerda a la garganta, 
el mar al que se hunde.


Leopoldo Lugones

segunda-feira, julho 14, 2014

Por Um Amor no Recife

A razão porque mando um sorriso
E não corro
É que andei levando a vida
Quase morto
Quero fechar a ferida
Quero estancar o sangue
E sepultar bem longe
O que restou da camisa
Colorida que cobria minha dor
Meu amor eu não esqueço
Não se esqueça por favor
Que voltarei depressa
Tão logo a noite acabe
Tão logo este tempo passe
Para beijar você


Paulinho da Viola











terça-feira, julho 08, 2014

Silêncio, Nostalgia...


Silêncio, nostalgia...

Hora morta, desfolhada,

sem dor, sem alegria,

pelo tempo abandonada.


Luz de Outono, fria, fria...

Hora inútil e sombria

de abandono.

Não sei se é tédio, sono,

silêncio ou nostalgia.


Interminável dia

de indizíveis cansaços,

de funda melancolia.

Sem rumo para os meus passos,

para que servem meus braços,

nesta hora fria, fria?


Fernanda de Castro, in "Trinta e Nove Poemas"


sábado, junho 07, 2014

Amigo


Mal nos conhecemos

Inauguramos a palavra amigo!


Amigo é um sorriso

De boca em boca,

Um olhar bem limpo,


Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.

Um coração pronto a pulsar

Na nossa mão!


Amigo (recordam-se, vocês aí,

Escrupulosos detritos?)

Amigo é o contrário de inimigo!


Amigo é o erro corrigido,

Não o erro perseguido, explorado.

É a verdade partilhada, praticada.


Amigo é a solidão derrotada!


Amigo é uma grande tarefa,

Um trabalho sem fim,

Um espaço útil, um tempo fértil,

Amigo vai ser, é já uma grande festa!


Alexandre O'Neill

 

 

Soneto


Formoso Tejo meu, quão diferente

Te vejo e vi, me vês agora e viste:

Turvo te vejo a ti, tu a mim triste,

Claro te vi eu já, tu a mim contente.

 

A ti foi-te trocando a grossa enchente

A quem teu largo campo não resiste;

A mim trocou-me a vista, em que consiste

O meu viver contente ou descontente.


Já que somos no mal participantes,

Sejamo-lo no bem. Oh! quem me dera

Que fôramos em tudo semelhantes!


Mas lá virá a fresca Primavera:

Tu tornarás a ser quem eras de antes,

Eu não sei se serei quem de antes era.

 

 

Francisco Rodrigues Lobo






sexta-feira, abril 11, 2014

Intertexto

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

 

Bertold Brecht

 

 

sábado, março 15, 2014

Cura Senhor

Vamos Jesus passear, na minha vida
Quero voltar aos lugares em que fiquei só
Quero voltar lá contigo, vendo que estavas comigo
Quero sentir teu amor, a me embalar



Cura Senhor, onde dói
Cura Senhor, bem aqui
Cura Senhor, onde eu não posso ir


Quando a lembrança me faz, adormecer
Sabes que a espada da dor entra eu meu ser
Tu me carregas nos braços, leva-me com teu abraço
Sinto minha alma chorar, junto de Ti


Cura Senhor, onde dói
Cura Senhor, bem aqui
Cura Senhor, onde eu não posso ir


Tantas lembranças eu quero, esquecer
Deixa um vazio em minha alma e em meu viver
Toma Senhor meu espaço, te entrego todo o cansaço
Quero acordar com tua paz a me aquecer


Cura Senhor, onde dói
Cura Senhor, bem aqui
Cura Senhor, onde eu não posso ir


Linda canção do Pe. Antonio Maria



domingo, março 02, 2014

O Sole Mio

Che bella cosa na jurnata'e'sole
N'aria serena doppo na tempesta
Pe'll'aria fresca pare gia' na festa
Che bella cosa na jurnata'e sole.


Ma n'atu sole cchiu' bello, oi ne'
'O sole mio sta nfronte a te!
'O sole o sole mio
Sta nfronte a te ... sta nfronte a te.

Quanno fa notte e o sole se ne sene,
Me vene quase na malincunia.
Sotto a fenesta toia restaria,
Quanno fa notte e o sole se ne sene.

Ma n'atu sole cchiu' bello, oi ne'
'O sole mio sta nfronte a te!
'O sole o sole mio
Sta nfronte a te ... sta nfronte a te.

Quanno fa notte e'sole se ne scenne
Me vene quase'na malincunia;
Soto a fenesta toi restarria
Quando fa notte e'o sole se ne scenne.

Ma n'atu sole cchiu' bello, oi ne'
'O sole mio sta nfronte a te!
'O sole o sole mio
Sta nfronte a te ... sta nfronte.

 

Giuseppe Anselmi