Quarta-feira, Maio 16, 2012

A Foto Bela

Disse o Poeta, com P maiúsculo

Que precisamos medir o valor

Do belo pela inveja do tempo...

Não vês o tempo,

Bela que posa para foto?

Esse é o seu tempo,

O meu tempo, por isso irei curtir,

A bela na foto,

A foto da bela,

O tempo que não passa,

Na foto que para,



Na temporalidade eternizada,

Bela!


Autor: Lucio Maciel, 15/05/2012, 

Sexta-feira, Maio 04, 2012

Amor! Delírio - Engano

Amor! delírio - engano...
Sobre a terra Amor tão bem fruí;
A vida Inteira
Concentrei num só ponto - amá-la, e sempre.
Amei!- dedicação, ternura, extremos
Cismou meu coração, cismou minha alma,
Minha alma que na taça da ventura
Vida breve d'amor sorveu gostosa.
Eu e ela, ambos nós, na terra ingrata
Oásis, paraíso, éden ou templo
Habitamos uma hora; e logo o tempo
Com a foice roaz quebrou-lhe o encanto,
Doce encanto que o amor nos fabricara.


Goncalves Dias, Primeiros Cantos.

Terça-feira, Abril 17, 2012

Desejo

Ah! que eu não morra sem provar, ao menos
Sequer por um instante, nesta vida
Amor igual ao meu!
Dá, Senhor Deus, que eu sobre a terra encontre
Um anjo, uma mulher, uma obra tua,
Que sinta o meu sentir;
Uma alma que me entenda, irmã da minha,
Que escute o meu silêncio, que me siga
Dos ares na amplidão!
Que em laço estreito unidas, juntas, presas,
Deixando a terra e o lodo, aos céus remontem
Num êxtase de amor! 


Gonçalves Dias, em "Primeiros Cantos",

Domingo, Março 25, 2012

Por Que Mentias?

Por que mentias leviana e bela?
Se minha face pálida sentias
Queimada pela febre, e minha vida
Tu vias desmaiar, por que mentias?

Acordei da ilusão, a sós morrendo
Sinto na mocidade as agonias.
Por tua causa desespero e morro…
Leviana sem dó, por que mentias?

Sabe Deus se te amei! Sabem as noites
Essa dor que alentei, que tu nutrias!
Sabe esse pobre coração que treme
Que a esperança perdeu por que mentias!

Vê minha palidez- a febre lenta
Esse fogo das pálpebras sombrias…
Pousa a mão no meu peito!
Eu morro! Eu morro! Leviana sem dó, por que mentias?

Álvares de Azevedo


Sábado, Março 24, 2012

Encontros e Desencontros


A vida é a arte
Do Encontro,
Embora haja
Tantos desencontros,
Segundo o Gênio
Vinicius de Moraes.
Mentira!
Escutei uma louca
Gritar e gritar
Com a convicção
Que só os loucos têm:
Que a vida,
A vida
É um barco de merda,
Que navega em um mar de mijo e
Corre,
Assoprado pelo vento
De um peido!

Lucio Maciel em 24/03/2012

Sábado, Março 17, 2012

Um Dia a Menos

Desperta, fique de pé
Pise no chão batido, oriente-se
Caminhe, conte os passos
Sacode os sonhos da cabeça
Lave o cenário do teu semblante
Despeje na privada os pesadelos de outrora
Escove as doces palavras da boca e cuspa-as
Aqueça o frio dos pés
Troque de alma, coloque a anterior de molho
Ingere uma dose de cafeína
Vá buscar o jornal da escrivaninha
Recepcione a saudação: um dia a menos

Fabiana Mira, poema publicado no facebook.

Domingo, Fevereiro 26, 2012

Pra Sempre

Se morrer antes de ti,
Vou ter que te dizer o quanto te amei
Vais ter que ouvir as palavras que nunca te quis falar,
Que me dói amar-te assim, que estás em mim,
Que ficaste na minha pele,

Que te levarei um dia para a eternidade. 
Gostava de te dizer
Mas sei que não queres ouvir-me,
Vou esperar a hora certa,
Vou deixar-te na minha memória,
Ficarei ancorada no teu sonho de não me amares,
Nessa tua vontade inglória de não me ouvires...
Deixa-me dizer-te que te vou amar... até ao fim.
Onde fica o fim?
O fim de te amar...não tem fim.


 
Jacinta Marranita.

Terça-feira, Fevereiro 14, 2012

Elegia 6


Irrevelada angústia da última hora
Tantas frases de amor não foram ditas,
E silenciosamente fostes embora,
Para as grandes distâncias infinitas.

 
Pássaro ou anjo que distante mora,
Inquietas asas pelo céu agitas,
Voltas e pousas suavemente agora
Dentro das minhas solidões aflitas.

 
Voltas, e eu fico em dúvidas se pousas,
Tal a ternura com que vens e a calma,
Tão leve como o espírito das coisas.

 
Chegas, após vencer longas caminhos,
Com a pureza que vive só na alma
Das rosas virgens e dos passarinhos.


Mauro Mota, Elegias (1952)

Segunda-feira, Fevereiro 06, 2012

Amar como o Pequeno Príncipe

Se alguém ama uma flor do qual só existe uma espécie em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a comtempla.

Saint-Exupery.


Por Lucio Maciel do Livro "O Pequeno Príncipe" de Saint-Exupery.

Terça-feira, Janeiro 24, 2012

Escuro

Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo

Eu acordei com medo e procurei no escuro

Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo

Porque o passado me traz uma lembrança

Do tempo que eu era criança

E o medo era motivo de choro curvas

Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
abstract wall nko 37
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente

Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim

De repente a gente vê que perdeu

Ou está perdendo alguma coisa

Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho

Que é escuro e frio mas também bonito

Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu

Há minutos atrás...


Um poema de K. Stenio in http://poeticas.wordpress.com/2011/09/29/escuro/.

Sábado, Novembro 19, 2011

Gazela

Gazela!
Ainda diviso as curvas do teu corpo.
Nas curvas do teu corpo, meu corpo.
As águas calientes que transpiram
Dos teus poros tem odor afrodisíaco.
Tua boca molhada, lábios sedutores,
Que inspiram volúpia e transpiram deleite.
Nas curvas do teu corpo,
As minhas mãos...
O caminho do amor...
A passagem para o terreno paraíso...
O encontro mágico do sonho e realidade,
Do medo...o seu medo, e da coragem,
Do amor e da paixão,
Da repulsa e do desejo.
Nas curvas do teu corpo
O mesmo corpo, o meu corpo.
Ainda diviso as curvas do teu corpo,
Gazela!

Lucio Maciel, em 15/06/2000.

Terça-feira, Setembro 13, 2011

Dama de Vermelho


Quando pensaste ter um grande amor

Foi enganado pela paixão e luxúria

No veneno daquela boca um céu em volúpias

Lábios sedutores que causaram tanta dor

As entranhas invadidas pela indecência

Veias dilatadas pela ânsia do prazer

Belo corpo e disseste eis a glória de um viver

A flor do ópio exalou toda a hipocrisia

Dama de vermelho com seus esmeros

Fogos de artifício, tão passageiros..

Razão de teu imenso desespero

Agora achas que o destino é trapaceiro

Do jeito que a queres também quero

Mas ela pertence ao mundo inteiro.


Tania Mara Camargo em Poesias e Afins.
Dessa mulher não me exigas o nome, se não quiseres que turves de lágrimas esssa lembrança" D. Ramóm Angel Jara

Domingo, Agosto 21, 2011

Caminho Sem Retorno

Não há nada a esperar!
Não há pra onde ir!
É final duma estrada...
E no final duma estrada
Não há alternativa,
Volta!
Volta trazendo sua paga.
Voltar pra onde?
Se, não há ninguém a esperar:
Não vou ter o beijo caliente,
O abraço sôfrego não terei.
Sou homem que caminhando
Se perdeu de si mesmo,
E se eu não me reencontrar,
Não há lugar pra onde ir,
Não há nada a esperar! 
Lucio Maciel, em 08/08/2001

Segunda-feira, Agosto 01, 2011

Bate Pesadão

Sou brigador das ruas, brigador dos ringues

Sou soldado de elite, não me subestime

Brigador do tatame, brigo na faculdade

Quando faço o exame, brigo pra me graduar

Pra me profissionalizar

Brigo com demônios, brigo com o diabo

Brigo comigo mesmo, quando de Deus eu me afasto

Brigo com as lajes que tenho que bater

Brigo pelas barrigas que tenho que encher

Luto por um sonho que não vou deixar morrer

Luto pela paz real que eu quero conhecer

Por isso brigo com o inimigo que tenho que derrotar

A guerra é só uma ponte que me

Atravessa para a margem de lá.

.................................................................................

Bate pesadão, bate pesadão, bate pesadão e faz

Ficar no chão.

Bate pesadão, bate pesadão, bate pesadão manda o

Inimigo para o chão.


Pregador Lou (trecho da Música, Bate Pesadão)


Sábado, Junho 25, 2011

Feliz Aniversário!

Por quê?
Aniversário é apenas o alegre e nostálgico adeus
A vida que se foi, ao tempo que não volta mais.
É uma festa a vida...
...A vida pretérita,
Não ao porvir.
Tudo passa!
Esse é o segredo...tudo passa!
Geneva Maison de Haute HorlogerieA vida é fluxo, é processo, é rio
Que corre e morre nos braços do oceano.
É essa consciência, as vezes inconsciência,
Que nos conduz a festa e à folia,
A vida é apenas a noiva fogosa e quente
Que se prepara, em cada festa, nos
Felizes aniversários, para se entregar
Nos braços gélidos do noivo morte.
Não há felicitações natalícias na eternidade!
Saudamos a temporalidade.
A vida que não volta,
O rio que segue seu curso,
A estrela que caiu,
A tarde para a rosa.
Feliz Aniversário!

Lucio Maciel, em 24/06/2011.



Quinta-feira, Abril 21, 2011

Ciúmes

Não tenha ciúmes do meu
Passado, nem das cartas e poemas
Guardados, pois, também
Quantas bocas seus lábios beijaram?
Quantos corpos ao teu entregastes?
E as frases de amor e
Juras de fidelidade?
Que importa, amor!
Que importa!
Sou eu quem a tenho e
Tu que me tens agora.
Que importa, amor!
Que importa!
Lucio Maciel, em 01/09/2004.
Comics Superheroic Kisses, Hugs...

Quinta-feira, Março 03, 2011

Meu Deus, E o Amanhã?

Quando olho para o horizonte,
E entrevejo negras nuvens,
Revolve-se em agruras minh’alma.
O impulso veemente de gritar, chorar e fugir
Das incertezas do amanhã.
Meu Deus!
O que será do amanhã?
Do amanhã que vem vindo
Feito tão somente de incertezas,
Como as densas nuvens negras,
Que me inspira descrença, dor e desilusão.
Ah! Devo crê que tudo que quanto diviso
São quimeras, sim, meras ilusões?
Que não existem nuvens negras?
Que o sol irá surgir, e
Os seus raios de luzes irão brilhar,
Traduzindo em paz e alegria no meu triste coração?

Lucio Maciel, em 20/03/1993.